terça-feira, 15 de abril de 2014

O que são Transtornos Mentais?


Instado por um codependente decidi publicar, aqui e agora, um texto básico sobre TRANSTORNOS MENTAIS, cujo autor é o Dr. Osvaldo Lopes do Amaral, Diretor Clínico do INEF - Instituto de Estudos e Orientação da Família. Vejamos o que ele escreveu sobre o tema:

"O que são Transtornos Mentais?"

"Transtornos mentais são alterações do funcionamento da mente que prejudicam o desempenho da pessoa na vida familiar, na vida social, na vida pessoal, no trabalho, nos estudos, na compreensão de si e dos outros, na possibilidade de autocrítica, na tolerância aos problemas e na possibilidade de ter prazer na vida em geral.

Isto significa que os transtornos mentais não deixam nenhum aspecto da condição humana intocado.

Porque falamos de transtornos mentais e não de doenças mentais?

Em medicina, são consideradas doenças as alterações da saúde que tem uma causa determinada, com a ocorrência de alterações físicas detectáveis. O termo transtornos, por outro lado, é reservado para designar agrupamentos de sinais e sintomas associados a alterações de funcionamento sem origem conhecida.

Os transtornos mentais, em geral resultam da soma de muitos fatores como:

- Alterações no funcionamento do cérebro
- Fatores genéticos
- Fatores da própria personalidade do indivíduo
- Condições de educação
- Ação de um grande número de estresses
- Agressões de ordem física e psicológica
- Perdas, decepções, frustrações e sofrimentos físicos e psíquicos que 
perturbam o equilíbrio emocional

Podemos então afirmar que os transtornos mentais não tem uma causa precisa, específica, mas que são formados por fatores biológicos, psicológicos e sócio-culturais.

Quais exemplos de transtornos mentais poderiam ser citados?

- Estados de depressão ( sentimentos persistentes de tristeza, desânimo, idéias pessimistas e de morte ou suicídio ou tentativas de suicídio, dificuldades de concentração e de memória ou de tomar decisões. Sintomas físicos persistentes que não respondem a tratamento como dores de cabeça, transtornos digestivos e dores crônicas. Perda de interesse ou prazer em atividades, incluindo sexo. Alterações de sono, energia diminuida e fadiga).

- Estado de mania ( irritabilidade, idéias de grandiosidade, atividade aumentada, incluindo atividade sexual, acentuado aumento de energia, comportamento social inadequado, julgamento empobrecido, o que leva a comportamentos de risco, necessidade de sono diminuída, pensamentos acelerados, fala aumentada).

- Estado de ansiedade exagerada ( são transtornos sérios que trazem um nível de ansiedade muito elevado, de caráter crônico, incessante e que pode aumentar progressivamente quando não tratados. Há um comprometimento na realização de tarefas, consequência da dificuldade de concentração, da agitação. Há também o aparecimento de fobias, que não são apenas medos exagerados, são medos irracionais ).

Pertencem a este grupo de transtornos:

- A síndrome do pânico. Onde ocorrem períodos de intensa ansiedade, que surgem espontaneamente e que usualmente duram menos de uma hora. Estes ataques de pânico ocorrem aproximadamente duas vezes por semana, podendo ser muito mais ou muito menos frequentes. Estes ataques de pânico podem estar associados a agorafobia - medo de estar sozinho em lugares públicos, especialmente em situações nas quais uma saída rápida seria difícil.

- Fobia social ( transtornos de ansiedade social ).  Há o surgimento de uma intensa ansiedade, às vezes até semanas antes da situação temida, onde a pessoa sente que será exposta ao exame de outras pessoas e tem medo de agir de uma maneira humilhante ou embaraçante.

- Transtornos obsessivo-compulsivos. As pessoas pensam determinadas coisas de uma forma repetitiva que chega a ser muito perturbadora ou repetem determinados atos inúmeras vezes ao dia, chegando a comprometer a execução de suas tarefas diárias por consumir muito tempo para lidar com as idéias (obsessões ) ou executar comportamentos que se tornam verdadeiros rituais (compulsões). Os comportamentos repetitivos ( compulsões ) são uma tentativa de reduzir a ansiedade relacionada às idéias repetitivas e invasoras (obsessões) mas nem sempre funcionam, podendo até aumentar a ansiedade. Nestas situações a pessoa pode apresentar somente obsessão, somente compulsão ou ambos.

Há mais exemplos de transtornos mentais?

Sim e talvez seja o momento de falarmos um pouco do grupo de transtornos mentais psicóticos, cujo exemplo mais conhecido é a esquizofrenia.

Os transtornos psicóticos implicam numa perda da diferenciação entre o mundo real e o mundo imaginário, em grau variável, fazendo com que as pessoas atingidas tenham desde uma vida relativamente normal até uma grande incapacitação.

Os sintomas mais comuns deste grupo de transtornos mentais são as alucinações (alucinações são percepções sem uma conexão com a fonte apropriada. Podem ocorrer na forma auditiva (sons) visual (visões) gustativa (sabores) e olfativa (cheiros) - ouvir vozes que outras pessoas não ouvem é o tipo de alucinação mais comum na na esquizofrenia. As vozes descrevem as atividades da pessoa, comentam de coisas que podem acontecer e, às vezes, dão ordens à pessoa ) e os delírios (são falsas crenças pessoais que são mantidas mesmo quando confrontadas com evidências que as contradizem. Os delírios podem estar relacionados a diferentes temas. Por exemplo, o delírio que ocorre em aproximadamente um terço das pessoas com esquizofrenia é o que chamamos de paranoide: a pessoa acredita que está sendo perseguida, enganada, envenenada e que existe um plano contra ela. Às vezes o foco da perseguição é colocado em um familiar, às vezes em pessoas fora da família.Os delírios também podem ser de grandeza e a pessoa acredita que ela é uma figura muito importante ou famosa. Algumas vezes as pessoas com esquizofrenia experimentam delírios bizarros; por exemplo, acredita que um vizinho controla a sua mente com aparelhos; que as pessoas nos filmes ou na televisão estão mandando mensagens especiais para elas; que os seus pensamentos estão sendo transmitidos por ondas magnéticas para toda a cidade ).

Nos transtornos mentais psicóticos as pessoas afetadas perdem a habilidade de ´´pensar corretamente``. Os pensamentos mudam muito rapidamente e não tem um encadeamento lógico; a pessoa não pode se concentrar em um pensamento por muito tempo, se distrai com facilidade. Neste caso dizemos que apresenta um ´´transtorno do pensamento``. Tudo isto leva a que seja difícil que a pessoa seja compreendida pelos outros, que se afastam, deixando a pessoa muito isolada.

Outro aspecto importante nos quadros psicóticos é a alteração da expressão emocional. A pessoa não tem as reações emocionais comuns, são apáticas, desinteressadas das coisas comuns da vida, a motivação pode estar muito reduzida. Em casos mais severos a pessoa pode passar o dia sem fazer praticamente nada e negligenciar até a higiene pessoal. Nestas situações é muito comum os familiares, ainda sem noção de que trata-se de uma perturbação mental, considerarem como má vontade, uma fraqueza da pessoa.

A dependência química é um transtorno mental?

Consideramos a dependência de qualquer substância química, lícita ou ilícita, como um transtorno mental. Hoje praticamente todos os adolescentes são expostos às drogas, mas os que se tornarão dependentes são uma minoria. Podemos afirmar que a diferença entre os que se tornam dependentes e os que não se tornam está na personalidade, nas condições mentais da pessoa. Uma vez estabelecido o hábito do uso de drogas, estas se tornarão causas de outros transtornos mentais, pela  destruição das células do cérebro, os neurônios. Mesmo com esta destruição e todos os prejuízos causados à vida familiar, social, de estudos, de trabalho. O indivíduo afetado pela dependência não pára o uso da droga, uma vez que perdeu a liberdade de escolha. É muito difícil que ele saia sozinho desta situação sem um tratamento, sem o apoio de um grupo.

A droga mais comum em nosso país é o álcool e constitui o maior problema de saúde pública que temos. Mais da metade dos leitos dos nossos hospitais estão ocupados por alcoolistas, seja pelas consequências diretas ou indiretas do álcool ( doenças físicas, acidentes de trabalho, acidentes automobilísticos, atropelamentos, etc ).

É fácil diagnosticar, identificar os transtornos mentais?

Alguns transtornos mentais são bastante conhecidos do grande público através de publicações em jornais, revistas e televisão e são mais facilmente reconhecíveis. Outros são mais difíceis e menos conhecidos, requerendo experiência profissional para o seu diagnóstico. O diagnóstico em psiquiatria é predominantemente clínico (exames de laboratório, de imagens, raramente dão uma contribuição importante) e muitas vezes é necessário uma diferenciação com doenças físicas que se manifestam na área mental ( transtornos glandulares, metabólicos, tumores e outras doenças ).

Qualquer pessoa pode ter um transtorno mental ou existe um grupo específico de pessoas que padecerá deste tipo de transtornos?

Qualquer ser humano, ao longo de sua vida, terá momentos de desequilíbrio mais ou menos profundos e dependendo da intensidade do seu sofrimento e de suas condições mentais básicas, poderá ter um transtorno mental mais grave ou menos grave, mais recuperável ou menos recuperável, mais passageiro ou mais permanente.

Disto podemos concluir que os transtornos mentais são extremamente frequentes ( de uma maneira geral um em cada cinco pessoas terá um diagnóstico de transtornos ) e nenhum grupo social, racial, econômico, educacional ou de faixa de idade é poupado. É raro encontrar uma família que não tenha um membro atingido por um transtorno mental.

O custo social dos transtornos mentais é muito alto em termos materiais e de sofrimento humano. É enorme o número de horas de trabalho perdidas, de carreiras profissionais mutiladas e de relacionamentos humanos cortados pelos transtornos mentais. Daí a importância de que toda pessoa tenha uma possibilidade de reconhecimento da ocorrência destes transtornos em familiares, amigos, empregados e colegas, tornando-se um elo na corrente de ajuda pára minimizar a devastação representada pelos transtornos mentais.

Se ninguém está livre de ter um transtorno mental e em quase todas as famílias alguém pode ser diagnosticado como portador de um transtorno mental, por que há tantos preconceitos em relação a este tema?

Os preconceitos e a discriminação são uma consequência de nossos valores culturais e da ignorância; dá-se muita importância ao sucesso, a mostrar-se forte, a ser um super-homem.

Os transtornos mentais mostram que a pessoa é apenas humana, é frágil, e falível. Até a pessoa que sofre do transtorno mental tem preconceito de si próprio, tem vergonha de sua condição, o que dificulta que ela procure ajuda para tratar de sua perturbação, do seu sofrimento.

Como são os tratamentos para os transtornos mentais?

Os transtornos mentais são tratados, de uma maneira geral, como uma associação de meios psicológicos e medicamentos ( psicofármacos ). Algumas condições não requerem o uso de medicamentos e são tratados apenas por meios psicológicos. Caberá ao profissional que faz o diagnóstico ao ter o primeiro contato com o paciente, fazer a indicação de que recursos serão necessários para a recuperação da saúde mental do paciente.

Há um certo pessimismo em relação aos tratamentos dos transtornos mentais?

Sim. É um produto também do desconhecimento destes temas e de expectativas mágicas em relação aos tratamentos que obviamente não se cumprem. Os tratamentos para os transtornos mentais são efetivos, dão muito bons resultados, na maioria dos casos, mas requerem um esforço sustentado por períodos prolongados, dedicação e paciência. Os benefícios não surgem no curto prazo.

Onde posso procurar ajuda para alguém que está manifestando algum tipo de transtornos mentais?

As possibilidades são inúmeras. Obviamente as pessoas que podem pagar pelo seu tratamento contarão com mais opções pois terão acesso a um grande número de profissionais de saúde mental em seus consultórios particulares. Para as pessoas que não disponham de recursos financeiros para tanto, nem da cobertura de plano de saúde ou convênios, poderão recorrer a Centros de Saúde Mental mantidos pelo Estado ou pela Municipalidade, a clínicas de atendimento psicológico mantidas por Universidades ou a serviços oferecidos por Organizações Não Governamentais, sem fins lucrativos.

O importante é começar a procurar por algum ponto. Uma pessoa que queira tratar-se não deixará de fazê-lo por problemas financeiros. A comunidade dispõe de recursos acessíveis a todos.

Caso você deseje maiores informações sobre este tema entre em contato com o 
INEF - Instituto de Estudos e Orientação da Família
RuaTuriassú 1450 - Perdizes SP.
Fone: 3871-3398 ou 3676-1902
e-mail: inef@inef.com.br

Recomendo que leiam mais sobre o tema no link abaixo:



DESPERTAR ESPIRITUAL, VIAGENS...

                                                     
 PARADOXO DE PODER

Anos antes de começar a minha vida em A.A., dava aulas de literatura norte-americana em uma universidade. 

Um dos escritores cuja obra eu gostava de ler e discutir com os alunos era Emily Dickinson. Com poucas palavras, ela captou a definição peculiar que eu tinha mas com a qual não consegui lidar.  Um dos seus poemas tinha um apelo especial no qual voltei muitas vezes. Começava assim: 

”I can wade Grief

Whole Poopls of it

I’m used to t5hat/

but the least push of Joy

Breaks up my feet

And I tip – drunken.”

( “ Eu consigo navegar pela tristeza/; poços inteiros de tristeza/ estou acostumada com isso/ mas um simples toque de felicidade/ me desequilibra/ e eu tropeço – bêbada”.) 

Essas poucas linhas descrevem claramente por que eu bebia. 

Eu conseguia atravessar mares de tristeza e depressão; ao longo dos anos eu tive apoio psiquiátrico para me ajudar. Já estava acostumada. Mas qualquer sentimento de alegria me derrubava, sempre tropeçava bêbadas: viagens, aumentos, promoções. Comemorações de qualquer tipo. Todas as ocasiões eram desculpas para beber. 

Em pouco tempo encontrava uma razão para transformar aquele dia em festa. Quando isso acontecia, todos esses dias já não eram mais tão especiais ou festivos. Depois de frequentar A.A. por um tempo, voltei ao poema um dia e encontrei uma maneira totalmente de ler. Nunca tinha percebido que toda aquela bebedeira havia sido iniciada por momentos de despreocupação, comemoração e alegria., para então terminar naqueles anos de desespero nos quais tentava manter o prazer e a diversão. 

O programa me proporcionava uma compreensão da minha dependência alcoólica, e como mais benefício, uma nova leitura do meu poema favorito. Mas tem mais. Mais adiante, no poema, Emily Dickinson comenta que devemos nos proteger nos momentos de alegria, quando estamos vulneráveis ao sofrimento e á angustia. “Power is only Pain  -/Strandede, through Discipline...” (“ O poder é simplesmente a dor/ Entrelaçada com a disciplina…) Sempre usei a definição de poder para iniciar as discussões em sala de aula sobre o possível significado para os alunos. Mas, agora, parecia que o lia pela primeira vez. Expressava o que eu estava começando a entender sobre A.A. Poder é a palavra chave neste programa, e sua importância sempre é destacada nos Doze Passos.  

No inicio, “admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas. “ . Então, acreditamos “que um Poder Superior a nós mesmos poderia devolver a sanidade.” E, no Décimo Primeiro Passo, rogamos “pelo conhecimento de Sua vontade em relação a nós” e forças (poder) para realizá-la. Comecei a notar a ênfase que o poder e a força recebem no programa de A.A. Percebi que aquela pessoa que considerar o A.A. como uma simples renúncia ao álcool, certamente, não leu os Passos com atenção. A nossa dependência contínua pelo Poder Superior demonstra a extrema importância que atribuímos á atitude e à realização. A fonte do poder, Dickinson acrescenta, é a dor.  

Na minha experiência em A.A., nunca encontrei um membro que não tenha sofrido. Nunca conheci ninguém que decidiu entrar para o programa em uma manhã linda na primavera, quando tudo estava indo bem.  A maioria de nós entrou de joelhos e a partilha dessa dor comum é a maior razão pela qual voltamos ás reuniões.”Entrelaçar” significa construir pela união, torção, como os fios de uma corda. Assim, fica implícito que a conquista do poder vem por meio da mistura da dor com a disciplina. Disciplina, a palavra que todos nós tínhamos pavor desde os tempos de escola, foi a parte de A.A. que mais me assustou. 

No inicio, achava que, com disciplina rígida e força de vontade, eu conseguiria parar de beber. De qualquer maneira, estava preparado para me sentar e assistir ás reuniões com muita determinação para perceber isso. Quando criança, a que se me esforçasse o suficiente e fosse disciplinado, poderia atingir qualquer meta que fosse estabelecida. Talvez esse princípio pudesse me segurar e me ajudar a não beber. 

Mas os membros de A.A. me surpreenderam com uma nova definição do termo. Em vez de me segurar, disseram que eu deveria me soltar. Em vez de utilizar o autocontrole, fui incentivado a entregar a minha vida e vontade a Deus. E no final do Sexto Capítulo do livro Alcoólicos Anônimos, li que “nós, alcoólicos, somos indisciplinados”. Então, “nós deixamos Deus nos disciplinar na forma simples que acabamos de descrever”. 

Eu não tinha conhecimento dessa definição. “entregar-se” sempre significou a autoindulgência: beber aquilo que sobrou na garrafa, comer o bolo inteiro, dormir até o meio-dia. Agora ouço dizer “entregar-se” significa adquirir disciplina. Tive de redefinir o termo pelo ponto de vista dos membros de A.A. “ Power is only Pain - /Stranded, through Discipline ...” (“ O poder é simplesmente a dor/entrelaçada com a disciplina...”).  Estou em A.A. há algumas 24 horas e estou começando a compreender o significado daqueles versos. A renovação da disciplina é um processo que deve ser iniciado todos os dias. Mas estou aprendendo a atravessar os poços de tristeza, dar passos com alegria e sem dor, com o poder que recebo pela disciplina de Alcoólicos Anônimos. –D.H. –Delmar, Nova Iorque.- Abril de 1982.

Texto de um companheiro Anônimo da AABR

Um dia na vida de M

M e irmãos se envolveram em uma briga na proximidade do "Céu Azul", uma pastelaria que arrendaram e transformaram em bar. Em dado momento M. viu seu irmão G levando uma gravata de um desconhecido. Correu e pegou uma peixeira e partiu pra cima do ofensor do seu mano querido. Quando ia desferir o golpe, no braço do estranho, que engravatava o irmão dele,  este levantou o braço e a faca penetrou na axila do sujeito, numa estocada mortal. 

A intenção não era matar, mas resultou em morte. M era usuário de drogas, sendo sua preferencial a marijuana. O irmão G era careta e o morto era o "pacato" cidadão, que finado ficou com o corpo estendido no chão. 

M e G fugiram rapidamente de carro e buscaram esconderijo em uma cidade praiana, onde permaneceram até livrarem-se do flagrante. 

Depois de apresentados à Policia, pelo advogado contratado, passaram a responder pelo crime em liberdade. A tese seria de autoria desconhecida, Que o inocente irmão de M, que não matou ninguém, aceitou. 

G, o caretão, estava próximo de casar, com a vida arrumada, com um futuro que parecia promissor. Sete anos passados foram levados ao tribunal e condenados a cumprir sete anos de sentença em regime fechado.

M tinha um bom emprego no governo e estava na iminência de perde-lo, quando sua esposa, desesperada, passou a pedir ajuda. Acabou encontrando um amigo de M. cujo pai era deputado e obteve para os dois irmãos, mediante exposição de motivos, a prisão albergue e, mais que isso, conseguiu com o Secretário da pasta, que M servia, abono das faltas e manutenção do emprego. 

Soltos, nunca se manifestaram gratos. M continuou a usar sua droga, que na época gozava a mesma reputação que o crack goza nos tempos atuais. 

M esconde o uso de outras drogas e fuma "unzinho", tranquilo, na laje da casa da esposa. G. foi ser taxista e, sem nunca ter matado alguém, consta nos autos processuais como um dos assassinos. Uma história triste. 

M, hoje em dia, vive a julgar e comentar a vida alheia. Também é taxista, além de servidor público. G. adquiriu um quê lombrosiano e é um sujeito silencioso. Havia um outro irmão envolvido na briga, que na época não era pescador predatório e nem usava drogas, mas ficou fora do processo. 

M não era de arruaça, muito menos G, mas encanados foram salvos pela esposa que, após bater em muitas portas, chegou à porta certa.

Gratos ou ingratos, M, comentarista e juiz de vidas alheias, parece guardar em segredo, não o crime praticado por ele, que destruiu os projetos de vida do irmão, mas o fato de ter arrastando o próprio irmão, sabidamente inocente, para um presidio, como autor de um crime que não cometeu. Grande irmão foi G que nunca abriu a boca para salvar-se das grades, delatando M, como autor do crime.

Do amigo que o ajudou e que o levou ao deputado a lhes permitiu continuar trabalhando sem perca de emprego, deve falar bem em seus pareceres sobre vidas alheias, presumo. Trabalhava durante o dia, apenas dormido na cadeia, que era um quarto perfeito.

Naquela época a maconha era vista como o crack é visto hoje em dia e muita gente falava que a culpa toda, naquele crime, foi o uso da droga, que o levou a matar.

O tempo passa, as drogas mudam, mudam-se os conceitos, mas o preconceito de M, usuário de droga, de tudo o que foi narrado, é o mais inexplicável. Mas é isso mesmo, reduziu-se em ser mero comentarista da vida alheia, enquanto oculta outros pesadelos. Não "mora na filosofia", mas no mundo dos fariseus. 

domingo, 13 de abril de 2014

Travessia

 
Recebi um livro do poeta Thiago de Mello com uma belíssima dedicatória. Aqui deixo patente minha gratidão, a ele e a meu filho, que "me prolonga", segundo o próprio poeta.
 
Lembro que Eric Clapton livrou-se dos variados vícios por conta própria e ele usou e abusou de drogas pesadas. Ele começou utilizando a mesma técnica que Nelson Gonçalves: ir diminuindo a dosagem, dia após dia, até zerar o uso. Teve sucesso com a heroína e dificuldade com a cocaína, cujo uso se prolongou por três meses, e venceu o alcoolismo. Perguntaram a ele o que sustentava ele nessa luta ingente e obtiveram como resposta: a guitarra!
 
Muitas vezes penso que muita coisa que parece tão difícil pode ser tornar tão fácil  de obter, diferentemente do que muita gente imagina. Pequenas atitudes e pequenos gestos ajudam muito. Até uma simples palavra de conforto, que não custa nada, ajuda muito. Some isso ao carinho, afeição, atenção e amor que temos podemos nos oferecer, mutuamente. Nada de viver numa espécie de cabo-de-guerra.
 
O poeta me energizou e motivou positivamente, do mesmo modo o filho que estabeleceu a ponte. São gestos simples que ajudam muito.
 
Também vem me alentando estar editando um livro escrito pelo meu avô, falecido em 1970. Ele foi tão forte que nem mesmo o AVC, que o acamou, conseguiu impedi-lo de concluir a obra, mesmo com os garranchos compreensíveis. A luta dele é um exemplo que me fortalece.
 
Acenaram, cogitaram, prefiro dizer assim, com um relançamento, em edição de luxo, de um livro escrito em parceria com um inesquecível tio, outro estimulo para prosseguir lutando.
 
A fortaleza do meu pai, o caráter dele, mesmo no auge da idade avançada, me impressiona. É o meu pai herói, a quem devo não apenas a vida, mas tudo de bom que já me aconteceu. A ele não devo, nem meus defeitos, nem meus vícios.
 
Também projeto concluir trabalhos que deixei inconclusos e eu até havia esquecido que já possuo alguma coisa concluída, pronta para publicação, mas nada que verse sobre drogas.
 
Quando um adicto é estimulado, bem motivado, ele se apega a algo, como Eric Clapton se apegou à guitarra dele. Pena que tanta bela gente não consiga ver coisas boas e belas que ajudem a energizar, positivamente, um dependente químico. Um hobby ajuda muito, porque ocupa a dor do copo vazio que está cheio de ar. Entendeu?
 
Esta imagem é para agradecer uma dadiva obtida por minha filha!
 
 

Raiva e Ódio - Emoções Negativas - Psiqweb




 
Publico, parcialmente, o início de um artigo que versa sobre sentimentos que acompanha a relação de dependentes químicos e seus familiares adoecidos. Muitas vezes desprezamos analisar nossos sentimentos, mas quando conheci os doze passos e convivi com irmandades, aprendi a buscar me livrar de tudo quanto não me fazia bem. Não estou livre de tudo, nem mesmo desses sentimentos primitivos inferiores que precisam ser melhor compreendidos para que possamos afasta-los das nossas vidas.
 
Vale à pena ser lido na íntegra! Eis o artigo:

A Raiva não é ruim apenas devido ao aspecto ético mas, sobretudo, devido ao seu aspecto médico.


Não erraria totalmente se dissesse que vivemos a Era da Raiva. Tentando verificar a aprovação social das manifestações da Raiva, quatro estudos examinaram a consideração social que o sistema atribui para as pessoas “raivosas”. Esses estudos mostram que o povo atribui mais status às pessoas que expressam Raiva do que às pessoas que expressam tristeza ou mágoa. No primeiro estudo, os participantes aprovaram mais o presidente Clinton quando o viram expressar Raiva sobre o escândalo de Monica Lewinsky do que quando o viram expressar tristeza ou mágoa.

Este efeito Raiva-tristeza foi confirmado num segundo estudo que envolveu um político desconhecido. O terceiro estudo mostrou que, em uma empresa, conferir alguma distinção esteve correlacionado com as avaliações de uns companheiros sobre a Raiva manifestada pelos outros, objetos da distinção.

No estudo final, os participantes atribuíram um salário mais elevado posição, bem como um status mais elevado a um candidato ao emprego que se mostrasse mais irritado que triste. Além disso, os estudos de número 2 e 4 mostraram que as expressões de Raiva criam a impressão que a pessoa raivosa é mais competente (Tiedens, 2001).


Ódio

A força do ódio é muito grande. Grandes grupamentos humanos podem se irmanarem através do ódio (à um inimigo comum) ou se destruírem (numa relação do tipo perseguido-perseguidor). De qualquer forma, o ódio tem uma predileção especial para se nutrir das diferenças entre o outro e o eu e, de acordo com observações clínicas, onde se cruza com o ódio há, inelutavelmente, um excesso de sofrimento físico e psíquico. O sofrimento e o ódio são tão próximos e íntimos que cada um acaba se tornando a causa do outro.

Voltando à teoria do sujeito-objeto, talvez a adoção de posição de apatia em relação ao ódio e à raiva seja o segredo para prevenir o sofrimento. Apatia no sentido valorativo, ou seja, não permitir que nosso sujeito mobilize valores para os objetos potencialmente causadores de ódio e/ou raiva. Assim sendo, não experimentar o ódio, a raiva e, consequentemente, o sofrimento, se tornará uma condição de sobrevivência física e emocional.

Vendo a doutrina do satanismo, longe de experimentarmos um grande temor sobre a seita, constatamos que, naturalmente, a maioria das pessoas de nosso convívio se conduz (sem saber) através desses “mandamentos”. Vejamos: 

"Amar ao próximo tem sido dito como a lei suprema, mas qual poder fez isso assim? Sobre que autoridade racional o evangelho do amor se abriga?” Mais uma; “Por que eu não deveria odiar os meus inimigos - se o meu amor por eles não tem lugar em sua misericórdia? Não somos todos nos animais predatórios por instinto? Se os homens pararem de depredar os outros, eles poderão continuar a existir?” E, finalmente, “odeie seus inimigos na totalidade do seu coração e, se um homem lhe da uma bofetada, dê-lhe outra!; atinja-o dilacerando e desmembrando-o, pois autopreservação e a lei suprema!”

Como vimos, esses (poucos) postulados parecem mais terem sido tirados da fisiologia humana que de uma doutrina satânica. Preferível seria dizermos “da fisiopatologia humana”. Mas, se as pessoas têm certa dificuldade em entenderem o aspecto patológico desses sentimentos e atitudes do ser humano, quer por agnosticismo, quer por racionalismo, então vamos encontrar na medicina psicossomática e psiquiátrica os elementos necessários para se estabelecer algum tipo de associação ente o sofrimento (físico e psíquico) e os sentimentos, emoções, pulsões e impulsos primitivos.

Isso significa que a Raiva e o Ódio não seriam contra indicados ao ser humano apenas devido ao seu aspecto moral ou ético mas, sobretudo, devido ao seu aspecto médico.
                                                    Continue lendo no link abaixo

Conviver, Missão Impossível?

 


Revista Vivência - Alcoólicos Anônimos ( AA )


"Reparações reconciliam nosso passado com nosso presente."         


A característica básica de nossa doença é o descontrole emocional. No início do processo, devido à "ligação", à artificial capacidade de nos tornarmos simpáticos, alegres e comunicativos, conquistamos facilmente as pessoas. A gente assume todo tipo de responsabilidade e conseguimos inventar desculpas plausíveis quando não as cumprimos.          

Com o passar do tempo, o alcoolismo nos vai tirando as diversas máscaras, nossas atitudes mudam, nos transformamos em causa de grandes desilusões e machucamos muito os demais, quando passamos a envergonhar os que ainda tentam confiar em nós.          

Depois, a incapacidade da vida social, as agressões e a final solidão.          

Nós de A.A. tivemos a felicidade de um dia ter aceitado que existe uma saída, uma chance de reabilitação e condições de uma transformação na maneira de pensar, em nossas convicções e em nossas reações.         

Nos Doze Passos há uma preocupação inicial com a aceitação do problema, a busca da espiritualidade e as tentativas do autoconhecimento. Passamos, em contato com o Grupo e companheiros, a ter coragem de nos olharmos francamente, trabalhar para nos modificarmos para melhor e adquirirmos a consciência de que existem outras pessoas. Precisamos conhecer nossos direitos e limites para conseguirmos fazer parte de um contexto social.          

Só a partir do Oitavo Passo, após um convívio com os Passos antecedentes, vamos partir para uma volta a um mundo real, com seres distintos, com reações diferenciadas e a maioria ainda com a visão do que éramos ainda há bem pouco tempo.          

Para limparmos nosso caminho e facilitar nossa jornada, precisamos reparar o máximo possível dos danos passados.         

No meu caso em particular, logo entendi que essas reparações devem ser antecedidas de um estudo cuidadoso de cada caso, pois eu as entendo não mais como um simples "me desculpe", tão comuns em toda uma vida repleta de mentiras, mas sim a coragem de novas atitudes e novas reações emocionais.          

As antigas relações, bem como as novas, vão acreditar não tanto em palavras e promessas, mas sim em nossa maneira de ser, em nosso equilíbrio emocional, em nossa sinceridade e compreensão. Essa compreensão, inclusive, não tem tempo predeterminado, mas vai acontecendo.          

Há casos, e no meu caso foram inúmeros, onde minha ausência, o meu "não atrapalhar" foram vitais para que eu não me sentisse mais culpado. Outras vezes a oportunidade do reencontro acontece quando não existe mais esperança - já escrevi para a "Vivência" de tempos atrás relatando o encontro com um filho, nora e neto, após 25 anos de ausência e maravilha do nosso relacionamento atual repleto de muito amor e sem a necessidade de remexer-se nas feridas do passado. 

Outras pessoas muito queridas não vi mais, mas sei que o "querer" vai depender delas, pois aprenderam a ser felizes sem minha presença e tenho que aceitar também isso.          

Finalmente, preciso entender que as reparações não são só as do passado, ainda acompanhadas de uma certa desculpa de como eu era, do meu desconhecimento das verdades que agora são base de minhas mudanças, principalmente na maneira de conviver com os outros.          

Tenho agora o meu Décimo Passo e dentro dele ainda me surpreendo com reações muito parecidas com as antigas, de uma época que não tinha noção do que é sobriedade. Tenho que cuidar rapidamente de suas soluções, pois ainda vivo de muito orgulho ferido e consequentes ressentimentos e desejos de revide. Ainda tenho o defeito de aceitar tudo das pessoas que amo e não perdoar nada das que não me são simpáticas. Trabalho inclusive um novo cuidado nos relacionamentos: o cuidado de analisar palavras que me ferem, pois notei que se me chamarem de alguma coisa que tenho certeza de não ser, tiro de letra.

Quando me chamam de nomes que gosto de ser, até me orgulho. Mas quando falam de mim coisas que sei que sou mas não quero que os outros saibam, saio do ar e me mostro sumamente ofendido. Tudo isso precisa ser remediado, pois a colheita não é fácil e não posso continuar a criar situações que futuramente me tragam problemas emocionais e sentimentos de culpa.          

Tenho certeza de que estamos num programa de vida para nos tomarmos alegres, otimistas e felizes e que se fui tão diferente no passado, a ponto de muitos me excluírem de suas vidas, agora, nessa nova chance de ser reintegrado à comunidade, tenho que continuar a ser diferente, pois o mundo e as pessoas continuam a ser as mesmas e eu é que tenho que ser outro. Nada muda se eu não mudar e a tristeza também cansa de ser triste e a solidão cansa de ser tão só.  

Vivência n° 47  -  Maio/Junho DE 1997
 
Crédito de um companheiro anônimo do AABR





sábado, 12 de abril de 2014

Reflexão Diária - Alcoólicos Anônimos

 


Sábado, 12 de Abril de 2014

abandonando a insanidade

... no que diz respeito ao álcool, inexplicavelmente, éramos loucos.
ALCOÓLICOS ANÔNIMOS PG. 60

O alcoolismo requeria de mim que eu bebesse, quer desejasse ou não. A  insanidade dominava minha vida e era a essência da doença. Ela me roubava a liberdade de escolha para beber e, portanto, me tirava todas as outras opções. Quando bebia era incapaz de fazer escolhas efetivas em qualquer aspecto de minha vida e esta ficava sem controle.

Peço a Deus para me ajudar a entender e aceitar o significado total da doença do alcoolismo.







 
 

Meditação do Dia - Narcóticos Anônimos

 
Sábado, 12 de Abril de 2014
Uma visão mais larga

 "Todos os despertares espirituais têm algumas coisas em comum, que incluem um fim da solidão e um sentido de direção nas nossas vidas."
                                                                                                                            Texto Básico, p. 57
 
Algumas experiências espirituais dão-se quando nos confrontamos com algo que seja maior do que nós. Suspeitamos da ação de forças que estão além da nossa compreensão. Temos uma visão fugaz de algo maior e nesse momento somos atingidos pela humildade. A nossa caminhada através dos Doze Passos conduzirá a uma experiência espiritual da mesma natureza, só que mais profunda e duradoura.  
Sofremos um processo contínuo de esvaziamento do ego, ao mesmo tempo que nos tornamos mais conscientes de algo maior. A nossa visão do mundo alarga-se ao ponto de já não possuirmos mais um sentido exagerado da nossa própria importância. Através dessa nova consciência não nos sentimos mais isolados do resto da raça humana. Podemos não compreender porque é que o mundo é como é, ou porque é que as pessoas por vezes se tratam de uma forma tão selvagem. Mas compreendemos o sofrimento e, em recuperação, podemos fazer o nosso melhor para o aliviar. Quando a nossa contribuição individual se combina com a de outros, tornamo-nos uma peça essencial de um grande desígnio. Estamos por fim ligados a algo.

Só por hoje: Sou apenas uma pessoa no esquema mais global das coisas. Aceito humildemente o meu lugar no mundo.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

UM DIA DE CADA VEZ

 
"A vida é o dia-a-dia. O hoje é tudo o que temos. E qualquer pessoa pode passar um dia sem beber. Primeiro, tentamos viver no presente só para não beber - e vemos que funciona. E depois que essa ideia se torna parte de nosso modo de pensar, verificamos que viver a vida em pedacinhos de 24 horas é uma forma eficaz e agradável de lidar com outros assuntos também." (Viver Sóbrio, p.17).

 Os alcoólicos têm por hábito de viver sempre o passado em busca de coisas que lhes foram boas ou ruins. Gostam de recordações. Muitos são os membros de A.A. em recuperação que vivem se culpando por seu passado alcoólico, torturando-se pelos sofrimentos causados a eles próprios e a outrem. O Primeiro Passo do Programa de Recuperação de Alcoólicos Anônimos é bem claro: "Admitimos que éramos impotentes perante o álcool - que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas."

A admissão da impotência é o primeiro degrau para a libertação. Estamos nos recuperando, portanto, não podemos ficar presos ao passado, nos torturando. Tínhamos perdido nossa fé. Começamos a nos reencontrar através de nossa recuperação. Não poderíamos viver o passado. Aprendemos a viver UM DIA DE CADA VEZ. 

Para nós é muito mais seguro viver somente o dia de hoje. Diz o membro de A.A.: hoje não bebo, e amanhã? O amanhã pertence a Deus!

Decidimos ficar sem beber UM DIA DE CADA VEZ. Vivemos integralmente este dia sem nos deixar perder em lamentações inúteis ou em planos irrealizáveis. Os dias perdidos jamais voltarão; o amanhã também não está presente. Só existe o hoje, quando podemos criar condições para um amanhã melhor.

 Bill W., uma semana antes de 16 de novembro de 1950, por ocasião do falecimento de Dr. Bob, se despediu dele sabendo que se submeteria a uma delicada cirurgia, dizendo-lhe: "Lembra-se do primeiro dia? Você disse: Bob, dou-lhe quinze minutos e falamos por 6 horas, chegamos longe e trouxemos tantos conosco."

Respondeu-lhe Bob: "Foi uma viagem turbulenta mas faria tudo de novo."

 "Eu também, Bill, eu também. Como nossas vidas mudaram porque paramos de beber. Só por isso. É tão simples, muito simples. Nada de coisas complicadas. Passo a Passo, dia-a-dia."

 Quando chegamos em A.A. há algumas 24 horas, a maioria de nós não acreditava poder alcançar o que alcançamos, vivendo UM DIA DE CADA VEZ, através de nossa coragem, usando sempre a chave da boa vontade com o firme propósito de praticar o nosso Primeiro Legado que é a Recuperação. Portanto, devemos, individualmente, pretender nunca mais beber. Isso é diferente de dizer: "Nunca mais beberei."

Nos nossos dias de bebedeiras, quando vinham as ressacas físicas, morais e espirituais, juramos, por muitas vezes: Nunca mais."
Em A.A., fazendo o programa de recuperação, de 24 em 24 horas, planejamos e decidimos não beber hoje. Não temos pressa. 

Somente UM DIA DE CADA VEZ, os objetivos vão se tornando alcançáveis e os problemas solucionáveis. Não nos esqueçamos de que estamos inseridos apenas no hoje e este é o tempo que conta, pois disse Bill: "Você sabe que não tem de carregar todo o A.A. nas costas! Não é sempre a quantidade de coisas boas que você faz, é, também, a qualidade que conta. Além de tudo, faça-o UM DIA DE CADA VEZ."

Em decorrência disto, devemos fazer a todo instante de nosso dia um inventário imediato, feito em meio às perturbações, o que nos pode proporcionar grande ajuda para acalmar as emoções agitadas e violentas.

O inventário relâmpago de hoje tem sua aplicação principal para situações emergentes no decorrer do dia.

O inventário rápido é para momentos de altos e baixos, quedas espirituais diárias, especialmente aqueles em que novos acontecimentos nos desequilibram e nos conduzem a errar.

Na realidade, nossa recuperação do alcoolismo começou em uma simples hora de um dia em que resolvemos simplesmente evitar o primeiro gole, após admitir nossa impotência perante ele, adiando-o UM DIA DE CADA VEZ.

 (Resumo de tema desenvolvido no V Encontro de A.A.: da Zona da Mata, em São João Del Rei, Minas Gerais)

(Vivência nº 25 Jul/Ago/Set 1993)
 
Crédito: Mary- Coord. Revista Vivência 
 
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Revendo a vida e os fatos

Em certos momentos da vida, não foram poucos, me vi em apuros. Ninguém para pedir ajuda. Era como um barco em mar revolto. Quantas vezes andei, depois de tantas andanças, quilômetros e mais quilômetros. Cansado, com sede, com fome, madrugada adentro e sem ter como parar para descansar, andando por lugares ermos e escuros, ruelas e quebradas, ouvindo o pipoco de tiros. Sim, estive em apuros e o que mais me marcou foi quando precisei de ajuda para pagar umas contas com prazo estipulado. Naquela aflição pedi ajuda a meu idolatrado pai, que, por se encontrar, face a idade longeva, dependente de algumas pessoas, conversou com pessoas próximas a mim para tratarmos o assunto. Vieram três pessoas. O dinheiro eu tinha, mas não podia retira-lo. Queria apenas uma soma emprestada para efetuar o pagamento. Estas três pessoas, como se fossem proprietárias dos recursos de meu pai, tomaram a decisão de me jogarem à própria sorte e me viraram as costas. Sabia que dentro deles existia uma conjunção de interesses. Era um bem de raiz que meu pai me havia dado. Disso um dia tratarei e tem a ver com a palavra dada. Fui desprezado pelos três e os olhos do meu pai falavam e eu o compreendia perfeitamente bem. Jamais faria isso com qualquer um dos três, por mais errado que estivessem.
 
Dia seguinte, em desespero, pedi ajuda a meu pai. O dinheiro eu tinha e devolveria, como fiz e como posso provar. Escapei, pois meu pai ordenou o empréstimo.
 
Depois de novas descobertas, de brigas que andaram ocorrendo - na minha ausência -  em torno da doação de um bem de raiz,  que me foi feita, passei a desconhecer tanta gente. Lastimável ! Tudo confirmava minhas suspeições, de um lado e de outro.
 
Em determinado dia, farto de tanto terror infundido contra um idoso, meu pai, vitimado por insidiosa guerra psicológica adversa, lembrei a um dos que me viraram as costas e me arrependo de tê-lo feito relembrar o dia em que me ligou choroso, pois estava como refém em uma casa de vídeo poker. Só sairia dali se pagasse o que devia... Vale dizer que ele saiu e que esta máfia levou muita gente a perder carros, casas e ao suicídio. O chefão morreu quando retornava para casa, salvo engano, por um franco atirador. Peço desculpas  por ter feito o mesmo lembrar, ainda que tentasse dizer que o fato era mentira. Não foi, pois meu pai foi comigo resgata-lo enquanto pagávamos o valor devido, que saiu quase todo do meu bolso e pouco me importava e importa. Mais vale uma vida! 
 
Passou, peço perdão! o que ficou foi a lição que aprendi: ninguém é perfeito.

As outras duas pessoas que me viraram as costas também não são e peço a Deus que me poupe de falar de quem quer que seja, pois sei que palavras e verdades podem destruir vidas, pena que tais pessoas não saibam. Tenho tantas verdades e ouço tantas acusações, pena que macaco não olhe para o rabo, nem o pavão olhe os pés.

Vou iniciar meu processo de desligamento...
 
Não sou perfeito!
 

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